quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Nostalgia pottermaníaca

Sempre sofro uma nostalgia após cada novo filme de Harry Potter, porém creio que esse último tenha sido pior. A última vez em que li um livro de Harry Potter foi no ano em que lançou o último livro, ou seja, há muitos anos atrás. O que deu num terrível esquecimento de vários detalhes da história. Mesmo assim, eram várias memórias que passavam pela minha mente. Tudo muito divertido.

Graças a nostalgia, acabei assistindo o terceiro filme, o meu favorito. Eu sempre tive um carinho especial pelo Sirius e os marotos. Eu tinha vários devaneios em que eu criava todo o passado deles. Era realmente divertido. De repente, eu lembrei de todo aquele carinho e aquela admiração que eu via na amizade entre Tiago, Sirius e Remus.

Acabei sendo afetada por aquela nostálgica sensação de amor aos marotos. Só queria compartilhar com alguém esse meu momento pottermaníaco com vocês.

Até o próximo post! (:

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O pequeno cogumelo.

Era uma vez um pequeno cogumelo. Como qualquer outro de sua espécie, ele vivia em lugares escuros, e sua morada em especial era em baixo de um tronco velho. Seus dias eram como o de qualquer cogumelo, possuía amigos como qualquer outro cogumelo, ou seja: ele não tinha nada de especial. Ele estava satisfeito com sua vidinha: uma vida comum.

Mas um belo dia, ele resolveu variar. Ao invés de dormir cedo como qualquer outro cogumelo, ele ficou acordado, apenas para olhar para a lua. Ele conseguiu, mas teve uma grande surpresa: a lua era mais bonita do que ele poderia sequer imaginar. Ficou simplesmente encantado, ainda mais quando viu que a lua olhava para ele. A lua sabia que ele existia!

Tomou coragem e resolveu conversar com ela. Conversaram bastante, riram bastante. Puxa, como a lua era legal!

Mas já estava quase amanhecendo, e a lua deveria ir. O cogumelo apenas sorriu e se despediu da lua. Durante todo o dia, o cogumelo só pensava em o que falar quando anoitecesse novamente, e sua amada lua aparecesse para ele e sorrisse.

Os dias se passaram, e o cogumelo e a lua se tornaram realmente bons amigos. Conversavam, riam, não percebiam o tempo passar, e logo logo a lua sumia novamente, abrindo espaço para o sol.

O cogumelo começou a ficar com medo: que dor era aquela no coração? Porque só a sentia quando não estava falando com a lua? Ele ficou com medo de que fosse amor. Como poderia um cogumelo se apaixonar pela lua?

Mas com o passar do tempo, ele percebeu que não deveria ter medo de seus sentimentos. Amor é algo tão maravilhoso!

Porque escondê-lo da sua amada lua? O corajoso cogumelo tomou coragem e se declarou para a lua.

Seu espanto foi tamanho quando descobriu que a lua se sentia da mesma forma por ele. Chorou de felicidade, e não conseguia parar de sorrir!

Os dias foram se passando, e o amor do cogumelo apenas aumentava. Só de ver a lua sorrir, o cogumelo já se sentia satisfeito.

Mas a lua não...

Com o passar do tempo, tanto a lua quanto o cogumelo começaram a sofrer. O pequeno cogumelo queria abraçar a lua, queria beijá-la, poder olhá-la nos olhos... mas não podia. Ele estava pregado naquele chão. Precisaria de muita coragem para se tornar uma estrela e ficar ao lado da lua o tempo todo, mas o cogumelo era medroso.

A lua, igualmente. Quem levaria a noite para o outro lado do mundo, se não ela? E para ela, seria impossível desistir de ser uma lua para ficar do lado do cogumelo.

Dias se passaram...

O cogumelo, por mais que amasse a lua, percebeu que os sentimentos da própria por ele estavam se enfraquecendo.

E ele compreendia. Compreendia muito bem. Ele não tinha medo que a lua dissesse que não o amava mais: ele tinha medo que a lua se apaixonasse pela grandeza do sol, ou pelo brilho das estrelas. Afinal, ele era só mais um cogumelo feio e normal. A lua estava rodeada de coisas grandiosas! O que ela iria querer com um pequeno pedaço de fungo?

Então, veio o dia no qual a lua confirmou as suspeitas do cogumelo: eles voltaram a ser somente amigos.

Mas o cogumelo sofria. Não conseguia ver a lua apenas como uma amiga! A lua era muito mais do que isso para ele...

Ele a amava mais do que qualquer outra coisa no mundo. Mas não adiantava... o pequeno cogumelo não sabia se expressar muito bem, se envergonhava com facilidade, e o mais importante: não poderia ficar do lado da lua todas as horas do dia.

Após dias e dias deprimidos, o pequeno cogumelo decidiu parar de falar com a lua, para tentar esquecê-la. Ele não conseguiria voltar a ser amigo dela... doía demais!

Mas ele simplesmente não conseguia. Acordava no meio da noite para dar uma espiada na lua, seus pensamentos sempre paravam nela, não importa a hora do dia... já chega. Ele decidiu que não deveria reprender seus sentimentos.

Um dia, ficou acordado novamente, e falou para a lua de seus sentimentos:

"Eu não desisti! Vou provar para você que eu mudei. Eu ainda a amo mais do que tudo, e não quero ter que fingir que não sinto isso por você. Irei fazer você se apaixonar por mim novamente. Sei que não tenho atrativos, sei que sou feio, que sou normal... mas irei tentar! Não vou desistir de ter você ao meu lado novamente!"

E até hoje, o pequeno cogumelo se esforça para recuperar o amor da lua. Apesar de ser extremamente atrapalhado, ele não perde as esperanças: poder amar a lua novamente é tudo que importa pra ele. Enquanto ele estiver lutando pela chegada do dia onde poderá amar a lua, ele pode fazer tudo. O pequeno cogumelo apenas espera que a lua lhe dê outra chance, assim ele irá se tornar uma estrela sem medo algum, e irá amar a lua com todas as suas forças.

Mas... E o que aconteceu depois?
O cogumelo continuava, determinado, lutando para conquistar sua amada lua. Era sem jeito, esquecido e muitas vezes não demonstrava o que realmente queria, mas algo inegável era seu esforço.

O tempo passou. E passou...

O cogumelo estava cansado. Amava a lua com todas as suas forças, estava sempre ali olhando por ela, qualquer favor que ela lhe pedir era uma ordem, se ela estava triste era o cogumelo que a consolava... mas se deu conta de que era realmente um bom amigo.

Foi como um tiro em seu peito, e o pobre cogumelo passou dias depimidos. Seus amigos o consolavam mas nada levantava seu ânimo. Foi então que ele parou e pensou "o único jeito é um dos lados abrir mão de sua situação atual. E eu acho que eu que terei que abrir mão da minha, terei que ser amigo da lua e fingir que não a amo, até me apaixonar por outra pessoa".

Mas não era tão fácil assim. Seu coração pertencia somente à lua. Amar outra pessoa para ele era impossível! Mas deveria tentar, pelo bem de sua amada...

O pequeno cogumelo, sem jeito, ficou acordado até tarde novamente, para falar com sua amada lua. Por coencidência, a lua queria falar com ele também. Por não ter coragem o suficiente para falar, o cogumelo permitiu que a lua falasse primeiro.

"Eu te amo".

"O que?" o cogumelo pensou. Ele pensou estar sonhando. Um sonho muito bom por sinal.

Mas não era sonho algum. A lua estava apaixonada novamente pelo pequeno pedaço de fungo, e o pediu em namoro.

Na verdade, há um bom tempo a lua andava confusa sobre seus sentimentos. Não sabia ao certo se não gostava do cogumelo, se gostava do sol... talvez as estrelas? Mas a imagem do pequeno fungo sempre lhe voltava a mente, e teve então certeza de seus sentimentos.

Este foi o dia mais feliz da vida do cogumelo. Sentiu sua energia voltar para seu corpo, seu sorriso se abrir e se fixar ali e a única vontade que sentia era de estar com a lua.

Hoje, não é mais possível encontrar o pequeno cogumelo em baixo do tronco. Seu amor fez com que ele criasse coragem.

Hoje, ele é uma pequena estrela. Há relatos de que esta estrela nunca se separa da lua, está sempre ali próxima à ela.

Dizem também que eles estão completamente apaixonados um pelo outro, e que vão continuar assim pela eternidade.
 
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Conto por Ana Luiza (vulgo Anya, a alface). Adorei essa história e esse cogumelo me lembra alguém muito especial para mim.
 
Até o próximo post! (:

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1

Dia 19 de novembro de 2010
Por muitos, o dia mais esperado do ano. Esse foi o dia em que estreou Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1, deixando muitas pessoas pelo mundo angustiadas a comprarem ingressos com antecedência e alguns fãs alucinados retirarem do báu seus cosplays guardados e usá-los mais uma vez, uma penúltima vez. Relembrando anos e anos que se passaram, enquanto acompanhavam as aventuras do bruxinho. E as expectativas eram muitas. Todos acreditavam que o filme referente ao último livro poderia compensar os dois anteriores e restaurasse o clima que Harry Potter sempre nos trouxe durante mais de 10 anos.

Os ingressos... Esgotados. As filas... Gigantes. Gritos... Constantes. Rostos chorando após a sessão... Muitos.

Fui ver a  primeira parte de Harry Potter e as Relíquias da Morte exatamente no dia 19 de novembro. Comprei o ingresso na hora e fui obrigada a ficar na primeira fileira, ou seja, obrigada a sair com torcicolo. Foi mais do que eu esperava, admito. Após as, na minha opinião, tragédias que foram a Ordem da Fênix e o Enigma do Príncipe, não tinha muitas esperanças para o sétimo. Porém superou todos os meus receios em relação a isso.

Em relação aos dois filmes anteriores, o sétimo foi muito mais fiel ao livro. E, graças, a divisão em partes pôde ser incluído mais fatos e detalhes expressos no livro. Os efeitos visuais e sonoros foram bem feitos e, várias vezes, pulei de susto por causa deles. Além de ter chorado muito com a morte do Dobby (SPOILO MESMO). A Mansão dos Malfoy e o quarto do Sirius fora exatamente como eu imaginei. Fiquei até boba de ver o quanto ficou igual. Gostaria que tivesse aparecido a carta da Lílian... Que pena.

Aqui está minha opinião sobre Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1.


Até o próximo post! (:

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Rotina ~


Uma vez, me falaram que eu era "duas caras". Espantada, perguntei por que. Responderam-me que não era no mau sentido e explicou que um dia comigo nunca é igual ao outro. Realmente. Sempre procuro fazer com que meus dias sejam diferentes um do outro. Dentro dos limites, claro.

Não sou acostumada com uma rotina. Nunca fui. Mas um anjo entrou em minha vida e trouxe a verdadeira felicidade. E junto dela trouxe uma rotina. Algo totalmente diferente que nunca experimentei.

Foi uma aventura. Conhecer você, me adequar a você, amar você... Se tornou a maior aventura de minha vida. Eu te amo mais do que tudo, minha emoção. Ter uma rotina nunca foi tão divertido. Sem tédio, sem irritação.

Eu te amo, Marllon. Prefiro te ter longe do que não ter. Desculpe-me por tudo. Às vezes, falo coisas sem pensar em seus sentimentos. Lembre-se sempre disto. Nunca mais pense que estou infeliz. Pois nunca estarei triste, sendo que estou com você. Mesmo longe, você está comigo. E espero que esteja pelo resto dos tempos.

domingo, 24 de outubro de 2010

Amor ~

Foi de repente. Você pôde entrar na minha vida e mudá-la completamente.
Eu já não me escondo dos outros como costumava fazer, já não sinto vergonha. 
Por que de repente meu sorriso se tornou mais bonito, meus olhos parecem brilhar mais?
De repente, tentei ser mais organizada. Quis mudar meu cabelo, livrar-me do passado. 
Tudo o que você diz hoje tem uma influência que ninguém nunca conseguiu impor sobre mim. 
Eu tenho a impressão de que te amo. 
Eu tenho certeza de que te amo. 
Isso é infantil, isso é errado? Isso é feio?
Aos olhos dos outros, talvez. 
Será só por conveniência isso tudo?
Tenha certeza que não. 
Quando criança, eu aprendi que o amor é envolvido por sentimento forte. E é dele que se cria um relacionamento. Desde então, isso não saiu da minha cabeça. E até hoje eu acredito fielmente nisso. 
Não há ninguém nesse mundo que possa me convencer do contrário. Eu dificilmente mudo minhas concepções sobre o mundo. Que eu saiba, ainda nenhuma mudou. 
Tenham essa certeza dentro de vocês. Eu acredito no amor e sempre acreditarei. 
Não importa quantas vezes eu vá me machucar nessa estrada, não importa quantas vezes eu me machuquei. 
Uma coisa eu sei.
Uma vez, pelo menos uma vez, eu presenciei esse sentimento tão complicado chamado amor. 

Maru, eu te amo. ♥ ~


A neve derreteu. Ela finalmente pôde ser derretida. Muito obrigada.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A lagarta ciumenta

Em uma mata virgem, havia uma árvore que se debruçava sobre um lago e um de seus ramos por pouco não tocava a água. Esse ramo era a morada de uma bela lagarta colorida.

Um dia a lagarta conheceu um girino que nadava por ali e, depois de uma boa conversa, passou a visitá-la com frequência. E logo se apaixonaram.

- Ah, minha pérola negra, prometa-me que nunca vai mudar! - falava a lagarta.

- Eu prometo, meu arco-íris! - respondia o girino. - Nunca mudarei nada em mim.

E o tempo passa e o girino aparece com pernas. A lagarta se sentiu iludida e chorou.

- Mas, meu arco-íris, a culpa não é minha, me desculpe, eu não mudo mais. Prometo!

A lagarta o perdoou, mesmo muito sentida, porém depois de uns dias cresceram braços no girino. A lagarta se sentiu ofendida e traída, e pôs-se a chorar. Não podia aceitar a mentira do girino.

- Eu não quero estes braços, eu não quero estas pernas. Perdoe-me, eu te amo!

A lagarta, além de muito magoada pela mentira, não aceitava que ele mudasse, mas o perdoou, dizendo que não perdoaria mais mentiras.

E a calda que o girino tinha resolveu desaparecer. Então a lagarta subiu os ramos, sem ouvir as desculpas do girino, e, chorando, fez um casulo de tanta tristeza. Isolou-se lá, com sua indignação e melancolia.

Quando a lagarta saiu do casulo, estava muito feliz porque havia se tornado uma fantástica borboleta, e estava maravilhada em saber voar. Como também havia mudado, estava pronta para desculpar o girino, arrependida, e começou a procurar sua pérola negra. Então saiu a voar perguntando por um belo girino com braços e pernas.

Perguntou a um sapo por ali:

- Senhor sapo, você viu um giri...

O sapo não a deixou terminar a frase e a devorou rapidamente. Este sapo, antes o amado girino da borboleta, continuou a procurar, tristonho, o seu querido arco-íris ciumento.

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Eu adoro essa história reescrita por uma amiga da minha sala, Aline Henning. Eu acho que me identifico muito com a lagarta ciumenta. Também nos faz pensar um pouco sobre como temos a tendência de não aceitar as coisas diferentes. Bem, é só isso.

Até o próximo post! (:

domingo, 26 de setembro de 2010

Capítulo 7 - ~* Apenas Juntos *~

Capítulo 7 - Natal.

A faculdade estava a todo vapor, e, novamente, Kakyou estava em frente a portão, me esperando para nosso almoço diário. Convidamos Yuki e Aiko para almoçar conosco.

Nosso almoço se desenrolava normalmente. Conversávamos, brincávamos, etc. Parece que o incidente da escada não tinha atrapalhado minha relação com Kakyou. Ele estava agindo como sempre: observador e com suas poucas palavras. Eu realmente gostava quando ele se deixava levar e ficava solto, mas eu também adorava esse seu jeito quieto e misterioso de ser. Talvez tenha sido o que mais me atraiu nele desde o começo. Aquele silêncio indecifrável.

Em meio nosso  bate-papo, Aiko teve uma ideia e quis expô-la:

- Pois é. O Natal é depois de amanhã. Que tal nos reunirmos lá em casa?

- Não. - Yuki respondeu rapidamente.

- Você se lembra o que aconteceu da última vez? E também vamos ter aula depois de amanhã. - falei.

- O que houve da última vez? - perguntou Kakyou.

- Ela quis fazer um Natal "tradicional" e decidiu encher a casa com "pisca-piscas". E quando eu digo encheu, ela LITERALMENTE encheu! - comecei.

- Então quando ela tentou ligar todos, causou um "blecaute" no bairro inteiro. - completou Yuki.

- E tivemos que ir na casa de todos os vizinhos para nos desculpar, enquanto ela estava vestida de Papai Noel. Com barba e tudo.

- Ah, pelo menos, nada pegou fogo... - falou Aiko. - Eu estava pensando em apenas nos juntarmos e comermos um nabe ou algo assim, enquanto trocamos presentes. Podemos fazer isso após a aula. Vamos...  - concluiu manhosa.

- Não sei, Aiko... Não vejo nenhum motivo para comemorar o Natal... - falei.

- Vamos, <....>-chan. Você só vai para a casa dos seus pais no dia 30 mesmo, não precisa arrumar as malas tão cedo...

Yuki e Kakyou olharam sério para mim, porém não exporão seus pensamentos. Aiko parecia um pouco arrependida por ter falado aquilo.

- Então vamos fazer logo essa festa! - falei animada.

Yuki e Kakyou se olharam parecendo hesitantes quanto a festa. Às vezes, parecia-me que os dois não se davam muito bem, mas parece que havia algumas horas em que se tornavam uma ótima dupla quando se tratava das "maluquices" de Aiko.

- Eu estarei trabalhando no dia 24, mas acho que consigo ir de noite. - falou Kakyou.

- Acho que posso ir também... - falou Yuki vagamente.

- Então está combinado! Todos na minha casa no dia 24! - falou Aiko, animada e estendendo a mão com os dedos em "V". - Podemos fazer um "amigo oculto"! Sortearemos os nomes amanhã.

Acabamos logo nosso almoço e pedimos a conta. Dividimos a conta por quatro e cada um pagou sua parte. Quando saímos do restaurante lembrei que precisava de um livro da biblioteca para estudar para a próxima prova.

- Ah, gente! Tenho que ir até a biblioteca. Desculpe-me. - falei, já me virando para o lado oposto.

- Vai lá! Tem que tirar uma boa nota nessa prova, hein! - disse Aiko.

- É. Podem ir. Depois eu volto para casa sozinha.

- Posso te acompanhar até a faculdade, já que é caminho. - falou Kakyou.

- Então tchau, <....>-chan! - falou Aiko já andando.

- Até amanhã! - disse Yuki, acompanhando-a.

Permanecemos em silêncio enquanto andávamos em direção a faculdade. Até que Kakyou decidiu abrir a boca:

- Então você vai para a casa de seus pais no Ano novo...

Ele não estava realmente perguntando, mas era como se quisesse confirmar o fato.

- Sim! Tenho que visitar a família às vezes, não acha? - falei rindo.

- Acho que sim... - respondeu distraído.

Senti-me um pouco incomodada com seu tom vago. Parece que havia algo de errado novamente.

- E você? Vai visitar sua família? - perguntei.

- Não. Meus pais morreram há muito tempo. Vou ficar por aqui, mesmo.

Quando escutei a resposta, arrependir-me imediatamente por ter perguntado. Ele havia ficado sério novamente.

- M-mas você não tem nenhum parente que possa visitar ou algo assim?

- Não. Eu geralmente passo os feriados sozinho mesmo. Estou acostumado.

Fiquei olhando para ele. Ele realmente parecia não estar se importando muito, mas o tempo me ensinou que Kakyou nunca mostra o que realmente pensa ou sente. Ou seja, talvez ele se sentisse solitário nesse exato momento.

Chegamos na faculdade e fomos até a biblioteca. O silêncio permanecia entre nós. Vários pensamentos rodavam minha cabeça.

- Er.. O que... O que houve exatamente com seus pais? - falei enquanto passava o livro de que precisava para a bibliotecária.

Ele olhou serenamente para mim e falou:

- Essa é uma história para outra hora...

- Ah... Não, tudo bem... - falei envergonhada.

Ele mostrou um pequeno sorriso. Saímos da biblioteca e da faculdade.

- Eu vou para esse lado. - ele apontou o lado oposto ao meu.

- Sim! Até amanhã! - falei me virando para o outro lado.

Dei alguns passos e parei. "É isso!" Virei-me e gritei:

- KAKYOU! - ele se virou, curioso. Corri até ele.

- Sim?

- Er... Eu queria saber se... se... se você não quer passar o Ano novo comigo, na casa de meus pais?

Ele pareceu espantado com a proposta.

- Não, <....>. Não quero atrapalhar sua reunião de família.

- Não vai atrapalhar! -falei afobada. - Minha mãe gosta de visitas, mesmo ela estando um pouco doente recentemente, meus irmãos também não se incomodam. Se quiser, podemos ir de trem. Uma viagem de trem até Sapporo costuma ser bem agradável, mesmo lá sendo bem frio. E... e... eu gostaria mesmo que você fosse.

Ele sorriu e falou:

- Se você acha que não vou atrapalhar, acho que posso te acompanhar... - falou um pouco constrangido com todo meu convite espalhafatoso.

- Sério? Realmente ficaria muito feliz se você passasse o feriado comigo e minha família.

- Espero não atrapalhar mesmo. Vou indo, então. Depois me fala sobre os detalhes da viagem.

- Sim! - respondi mais alegre do que o costume. - Até amanhã!

- Até! - falou.

Voltei ao caminho de casa.

Os dias passaram e finalmente chegou o dia 24. Tinha decidido dormir na casa de Aiko, então acompanhei-a até sua casa. Quando chegamos, falei:

- Oh, e não é que você realmente não enfeitou esse ano...

- Sim. Não tive tempo também... Eu queria ter colocado meus milhões de laços vermelhos e  verdes. Será que ainda dá tempo? - falou, com os olhos brilhando de êxtase.

- Não, Aiko. Está ótimo assim.

Aiko fez uma autêntica "cara de cachorro abandonado".

- Já disse que não. Vamos logo adiantar a comida.

Começamos a cortar os vários legumes para o nabe. Logo que tudo estava adiantado, fui tomar banho. Após o banho, voltei para a cozinha com os cabelos ainda presos e as pontas levemente molhadas. Aiko pulou em cima de mim, inexplicavelmente.

- <....>-chan! Você fica tão linda com o cabelo amarrado.

- Aiko, eu não estou respirando...

- Tão linda...

Enquanto eu estava sendo assassinada pela minha melhor amiga, a campainha tocou.

- Já vou! - disse Aiko, após ter me libertado de seu abraço de urso.

Segui-la até a porta. Quando adentrei a área de entrada encontrei Yuki tirando os sapatos. Parei, surpresa. Ele estava diferente naquele dia. Seus cabelos não estavam mais presos naquele rígido rabo-de-cavalo, mas sim soltos caindo-lhes sobre as costas, tão suaves dando-lhe um ar de graça.

- Feliz Natal, <....>-san.

- Ah... Feliz Natal, Yuki! Você soltou o cabelo hoje. Caiu muito bem em você.

- Obrigado. Você fica muito bem com seu cabelo preso também.

-Ah, isso. Só amarrei para tomar banho. - falei, colocando a mão no cabelo para desamarrá-lo.

Ele parou minha ação com sua mão e falou:

- Por favor, não tire.

Não consegui disser não àqueles olhos penetrantes.

- Eu vivo dizendo que ela deveria prender mais o cabelo. Mas ela não me escuta. - Aiko fala, andando em direção a cozinha. - Eu poderia fazer tantas coisas nesse cabelão dela... Mas ela se recusa.

- Eu não gostaria de ter meu cabelo queimado...

- Para sua informação, nunca botei fogo no cabelo de ninguém.

- Sei. E aquela vez... - comecei.

- Aquilo não conta. - respondeu Aiko, emburrada.

Eu e Yuki rimos.

- Tem algo em que eu possa ajudar? - ele perguntou.

- Não precisa. Já adiantamos tudo. Só temos que esperar o bonitão chegar. - respondeu Aiko. - Acho que vou tomar banho. Sintam-se à vontade.

Aiko se retirou da sala e sentei-me no kotatsu da sala e liguei a televisão, sem prestar atenção no que estava passando. Yuki sentou-se ao meu lado, tirou um pacote vermelho de dentro do casaco e então colocou-o ao lado do meu presente. Observei o embrulho e perguntei, curiosa:

- Quem você tirou?

- Não era para ser segredo? - respondeu, rindo.

- Ah, vamos lá. Conta!

Yuki abriu a boca para, provavelmente, dizer que não iria contar, mas a campainha tocou antes dele poder falar algo.

- Salvo pelo congo.

Ele sorriu satisfeito, enquanto eu me levantava para atender a porta. Abri a porta e me deparei com Kakyou batendo levemente os próprios ombros, tirando a neve que havia se acumulado ali.

- Nossa! Está nevando? Yuki chegou limpinho.

- Começou agora. Por sorte, eu já estava aqui perto.

- Hum. - respondi vagamente.

- <....>, acorda! Sabe aqui está um pouco frio, então eu posso entrar?

- Ah, sim. - respondi, ainda distraída - AH! Sim, sim. Pode entrar, por favor.

Kakyou adentrou a casa e tirou os sapatos. Levei-o até a sala onde iríamos jantar e nos sentamos no kotatsu, junto de Yuki.

- Feliz Natal, Nayukizhi-san.

- Feliz Natal, Kakyou-san.

De repente, manteve-se um silêncio no recinto. E, como eu sabia que não conseguiria quebrá-lo de modo satisfatório, apenas contribuí para que ele se alastrasse. Passaram-se alguns minutos e Aiko apareceu do corredor.

- Que clima de velório é esse? Vamos fazer esta festa bombar!

- Não pense em fazer nenhuma bobagem, Aiko. - falei, séria enquanto agradecia aos céus por ela ter aparecido.

- Mas então o que faremos? Ver filmes? Eu tenho uns de terror que são ótimos. - falou, Aiko já ficando entusiasmada.

- Não! - falei imediatamente.

- Tá bom. Sem filmes. Que tal MahJong?

- É uma boa ideia. - falou Kakyou.

- Então será Mahjong! - falei.

Aiko foi pegar o Mahjong e começamos a jogar. O tempo foi passando, e os pontos subiam e desciam. Como sempre, fiquei a com menos pontos, enquanto o Yuki ficou com mais. Logo após ele veio Kakyou e Aiko, respectivamente. Após o jogo, guardamos as pedras e montamos a mesa para comermos.

- Então você vai passar o ano novo na casa da <....>-san? - perguntou Yuki para Kakyou em meio ao jantar.

- Sério? - falou Aiko, surpresa. - O bonitão terá que passar pelo interrogatório da Motoko-san...

- Motoko-san? Quem é? Sua mãe? - perguntou Kakyou.

- Não. É minha irmã mais nova. Ela ainda está no colegial, mas sempre agiu como a super-protetora. - respondi, com vergonha.

- Também... Com uma irmã mais velha assim... - falou Aiko.

- Realmente. Ainda não acredito nessa história de que você se perdeu no primeiro dia de aula do colegial. - perguntou Kakyou, se divertindo.

- Não acredito que você fez isso. - falou Kakyou, surpreso.

- Qual é? Aiko teve problemas com o caminho da escola até o fim do ano. - falei.

Todos riram, até Aiko. Quando nós quatro nos reuníamos era como se o mundo perdesse todos os problemas e tudo estivesse na inteira paz. Após várias histórias antigas e claro, várias risadas, recolhemos a louça para lavar.

- Que saudade da comida da Yumi-san. Eu adorava a comida dela. - falou Aiko, enquanto guardava a louça.

- Tanto que você jantava lá em casa quase todas as noites.- falei.

- Então Yumi-san é sua mãe. - falou Kakyou.

- Sim. Dessa vez é minha mãe. Minha mãe sempre gostou de cozinhar então ela ficava extremamente animada com as idas costumeiras de Aiko.

- Estou ansioso para provar também.

Voltamos a sala para trocar os presentes, era quase meia-noite.

- Agora é hora de abrir os presentes! - gritou Aiko ao sentarmos no kotatsu.

Então correu para o corredor, sumindo em um dos quartos. Em seguida, voltou com um grande pacote azul.

- Podemos começar! Humm, comece você, Yuki. - disse Aiko, animada.

- Por que eu? - perguntou Yuki, indiferente.

- Porque eu disse, oras.

- Ai, ai... Nunca recebo uma resposta decente... - falou Yuki, enquanto pegava um pacote vermelho que estava ao lado do meu. - Tá, o que eu faço agora? Apenas falo quem é?

- Ah, você poderia dar dicas para descobrirmos quem é a pessoa... - respondeu Aiko.

- Só entregar para a pessoa? Pode deixar. - respondeu Yuki, ignorando Aiko. - Aqui, <....>-san.

E entregou-me o pacote, enquanto Aiko o caluniava em silêncio, apenas mexendo os lábios.

- Posso abrir? - perguntei.

- Claro.

Abri o presente e fiquei surpresa. Era um livro sobre contos japoneses que vivia admirando na livraria, mas nunca tive coragem de comprá-lo.

- Muito obrigada, Yuki. Obrigada mesmo.

- Não há de quê.

- Vamos, sem enrolação. Vai <....>-chan. Sua vez, sua vez.

Peguei uma caixa retangular que estava guardada ao lado da televisão.

- Bem, eu tirei o Kakyou. - e então entreguei o presente para ele.

- Nossa, um cachecol.- falou ele. - Obrigado. Você que costurou?

- Não, é comprado mesmo. Até pensei em fazer mas não daria tempo de costurar tudo. Desculpe-me. Mesmo assim, pensei que seria útil, afinal nunca o vi com um cachecol.

- Vamos, vamos. - falou Aiko, apressada.

- Que pressa. Calma! - falei.

- Quero logo entregar meu presente.

- Então vai ser logo, porque eu tirei você. Aqui, Aiko-san. - falou Kakyou, enquanto tirava uma pequena caixinha do bolso.

- Ah, muito obrigada. - então abriu. - Que lindo! É um broche.

E mostrou um broche com uma lua prateada e uma pequena estrela da mesma cor brilhante e alguns tons de violeta.

- Você realmente tem gosto, bonitão. Muito obrigada. Agora é minha vez! - e empurrou o grande pacote para o Yuki.

- Devo ter medo? - falou Yuki, encarando o pacote.

- Ah, você vai adorar. Tenho certeza que sim. - respondeu Aiko, com olhos brilhando.

Yuki abriu o grande pacote com o receio estampado no rosto. Porém, ao terminar de abrir, foi substituído pelo horror. O presente era uma réplica mais exagerada do chapéu de minha avó. Eu e Kakyou caímos na risada.

- Eu percebi o quanto você tinha gostado daquele outro e encomendei um parecido. - falou Aiko que também estava morrendo de rir.

- Ah... Obrigado... - falou Yuki vagamente.

- Calma, calma. Ainda tem mais. Vê o que tem debaixo do chapéu. - disse Aiko.

Yuki hesitou antes de tocar no chapéu, mas tomou coragem e retirou-o. E o que encontrou era um porta-retrato com uma foto tirada na noite do filme de terror, onde tinha todos nós em volta de Yuki que usava o chapéu. Ele sorriu ao ver a foto.

- Obrigado, Aiko. Foi muito gentil de sua parte.

- De nada. Sabia que ia gostar. Mas coloca o chapéu para vermos como fica. - falou Aiko, colocando o chapéu na cabeça de Yuki.

A noite continuou caminhando normalmente. Logo Yuki e Kakyou decidiram ir. Mas ao abrirmos a porta havia uma tempestade de neve, fazendo com que fosse impossível caminhar naquela selva de neve.

- Que tal dormirem aqui? <....>-chan disse que não queria dormir sozinha hoje. Ela disse que queria braços fortes abrançando-a nesta noite. - falou Aiko.

- AIKOOO!

Depois de conversarmos, decidimos que os rapazes dormiriam juntos no quarto de hóspedes e eu dormiria com Aiko no quarto dela. Despedimos-nos e fomos todos dormir. E assim foi nossa não tão calma noite de Natal.

~*

Finalmente consegui. Desculpe-me a demora, mas fiz o possível para sair um capítulo legal. E com o meu jeitinho típico "Apenas Juntos". Espero que gostem. Talvez eu demore com o próximo capítulo, pois ele é mais complicado e cheio detalhes, principalmente com novos personagens. Esperem, por favor.

Vocabulário
Natal - Lembrem-se que a história passa-se no Japão, e lá não se comemora o Natal em sua essência. É apenas capitalismo, no caso da comemoração improvisada.
Ano Novo - Geralmente comemora-se o Ano Novo durante a passagem e os três primeiros dias do Ano.
Nabe - é de comer e é japonês.
kotatsu - Consiste em um tipo de mesa baixa (para que caibam as pernas das pessoas sentadas À volta) com um pequeno aquecedor embutido no centro, voltado para baixo, e um cobertor grosso "lacrando" a mesa pelos quatro lados para impedir que o ar quente escape.
-san - Pronome de tratamento utilizado como sufixo. Equivalente ao senhor/senhora/senhorita.
-chan - Pronome de tratamento utilizado como sufixo. Demonstra informalidade e intimidade.
MahJong - Jogo de mesa de origem chinesa que foi exportado, a partir de 1920, para o resto do mundo e principalmente para o ocidente.

Até o próximo post! (: