Mostrando postagens com marcador Criatividade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Criatividade. Mostrar todas as postagens

sábado, 7 de janeiro de 2012

O menino e o pássaro.



Havia um belo pássaro. Com suas plumas e penas negras, voava com muito orgulho pelo claro céu. Era um ser de espírito livre, sofria de desapego. Olhava apenas para frente, e não se arrependia de nada. Talvez por isso... Fosse tão sozinho. Claro... Sozinho não so pássarignifica solitário. O orgulho do fazia com que se tornasse até esnobe. Os outros pássaros se intimidavam com a determinação que o pomposo pássaro negro possuía. E procuravam não se aproximar.

Mesmo assim, ele não era afetado por esse isolamento. Era mais fácil para ele. Ele não gostava de se envolver com os outros. Pobre dele... Nem conseguia perceber o abismo que se formava dentro de seu próprio coração.

Durante um de seus costumeiros voos por uma mata, um garotinho o observava de longe. Ele se admirava com todo esplendor que o pássaro exercia ao voar. Tinha um quê melódico. Era como se ele tocasse notas, melodias com o seu planar. O pássaro, tão empenhado, não percebeu a presença do humano vislumbrado. Logo, ele se cansou e decidiu pousar em uma árvore próxima. Próxima do garoto. O pássaro corria seus miúdos olhos pela floresta. Ao olhar para baixo, viu o menino que o encarava, maravilhado. O pássaro, indiferente, desviou o olhar de seu admirador. 

- Olá. - disse o menino de repente. 

O pássaro, curioso, procurou saber com quem o menino estava falando. Mas o menino não havia se movido. Continua a encarar o pássaro, sorrindo. Este voou até um galho mais baixo, para poder enxergar mais de perto o menino que parecia tentar conversar com ele. 

- Você é de uma beleza magnífica. Como pode um ser voar com tanta leveza...

Se pudesse sorrir, teria sorrido. Não era a primeira vez que ouvia elogios sobre seu voo. Mas vindo de um ser humano fazia muita diferença... Esses seres que já não se mostravam encantados com nada, que não pareciam ver beleza em mais nada. Principalmente vindo da natureza. Parece que esse menino não fora contagiado pela repugnância que assolava a raça humana.

Ainda assim, virou-se para partir. Deixar para trás o menino, como qualquer outro que tenha cruzado seu caminho. Quando já havia aberto suas asas, e estava pegando impulso para voar, o menino fala outra vez:

- Você está solitário, não?

Aquilo havia atingido o grande orgulho do pássaro. Solidão era um sentimento que ele não conhecia. Se precisasse, haveria muitos que estariam esperando para ajudar o pássaro. Ele apenas prefira estar sozinho. Mas que já cativara muitos, tinha certeza que sim. Virou-se novamente para o menino como se pedisse explicações.

- Sua dança pelos ares... Me passou um quê de tristeza. Eu senti que você punha a solidão em seus movimentos, tudo o que você esconde em seu coração.

O pássaro voou em volta do menino, com um bater de asas acelerado. Como se dissesse que o menino estava errado. Não se sente solitário. Ao contrário, era um ser muito feliz.

- Isso é apenas uma máscara. Você não quer mostrar seus verdadeiros sentimentos para que ninguém se aproveite das suas fraquezas.

O pássaro balançou levemente a cabeça, como se estivesse pensando seriamente no assunto. O menino sorriu e disse:

- Eu entendo. Eu me sinto assim também... - O menino hesitou a falar. - Eu tenho que ir. Será que eu poderei vê-lo de novo? Posso te ver voando novamente?

O pássaro abriu as asas e as balançou levemente, como se dissesse "sim". O menino sorriu novamente e disse:

- Amanhã, sim? - saiu assim, andando.

Havia um sentimento estranho dentro do pássaro. Ele queria ouvir mais o garoto. Decidiu então cumprir sua promessa de estar lá no dia seguinte. No mesmo horário, o pássaro sobrevoou a mata e desceu para o lugar onde se encontrava o menino, sentado no chão. O pássaro arriscou-se a pousar no chão, em frente e próximo ao menino. Este sorriu e estendeu sua pequena mão para acariciar a cabeça da ave. O pássaro se espantou com a ousadia do menino em lhe tocar, e com o fato dele mesmo ter permitido.

Esse garoto era diferente de qualquer um que nele tinha conhecido. Ele pareceu sincero... E, pela primeira vez, o pássaro percebeu a realidade que guardava tão bem dentro de si. Ele se sentia solitário. Não havia em quem confiasse no mundo. E o abismo começara a o engolir. O menino percebeu o olhar triste do pássaro.

- Não se preocupe. Eu estou aqui. Eu não irei te deixar. Você não está mais sozinho.

Assim, como a solidão que o invadiu, ele sentiu pela primeira vez a felicidade genuína. Queria agradecer o menino por todo apoio que pôde dar com seus poucos gestos e palavras. Levantou voo, e voou como nunca tinha voado antes. Iria mostrar toda sua gratidão agora. Colocaria sua felicidade em sua dança, apenas para fazer seu amigo sorrir. E conseguiu. O garoto ficou mais maravilhado do que no dia anterior. Sorriu como nunca.

E dias assim foram se repetindo. Um no outro... Eles acharam um lar. Um refúgio. Eles confiavam um no outro. Mesmo que não pudessem se comunicar diretamente, eles estavam conectados. Era como se utilizassem de telepatia para se comunicar. O silêncio os confortava.

Um dia, o pássaro foi até o local onde ele se encontravam todos os dias. Curiosamente,o menino não se encontrava lá.Sempre chegava com antecedência para receber o pássaro. Mas hoje... O pássaro não se deixou assustar. Pousou no galho da árvore e esperou por seu companheiro. E as horas passaram, e passaram. Quando a noite já havia chegado, o pássaro decidiu ir embora, sabendo que o menino já não apareceria mais naquele dia.

No dia seguinte, ele volta ao mesmo local e ao mesmo horário de sempre. E novamente o menino não estava lá. Esperou pacientemente pelo menino. E novamente ele não apareceu. E os dias foram passando... E ele continuava esperar por seu amigo. Já nem saía de lá. Passava dias e noites, apenas esperando.

Mas o menino não voltava, ele não aparecia mais. O pássaro adoeceu de tristeza. A vida havia lhe tirado a única coisa em que ele se apegou. Ele não precisava nem mais do apego a própria vida.

(15-12-2011)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Do you believe in soulmate?

Um renomado autor, uma vez, escreveu: "A alma da gente, como sabes, é uma casa assim disposta, não raro com janelas para todos os lados, muita luz e ar puro. Também há as fechadas e escuras, sem janelas ou com poucas e gradeadas, à semelhança de conventos e prisões. Outroassim, capelas e bazares, simples alpendres ou paços suntuosos."

Finalmente livre das responsabilidades do PAS, voltei a ler Dom Casmurro. Por mim, sem nenhuma obrigação. Assim, pude refletir profundamente sobre as passagens do livro. Essa acima, particularmente, me chamou a atenção. Comecei a refletir que tipo de casa minha alma seria.

Talvez tenha chegado a uma conclusão. A casa que representaria minha alma teria uma fachada bonita e chamativa. Branca com a porta principal aberta, convidando a entrar todos que passarem por perto.

Ao entrar, as pessoas se encontram numa grande sala bem iluminada pelas janelas do cômodo. Tudo à mostra. Engana fácil os desavisados. Eles se contentam com o pouco que vêem, já que foi tão fácil entrar naquela casa.

O que a maioria não percebe é que há outras salas, um labirinto de cômodos. Mas estão todas muito bem trancadas e parece ser impossível encontrar suas respectivas chaves. 

Eles não sabem que todas as chaves se encontram no grande cômodo com janelas, a que todos têm acesso. E, por algum motivo, ninguém as percebe. Ninguém consegue encontrar as sutis pistas que deixo para entrar profundamente na minha casa chamada "alma".

Ou talvez ninguém tenha tido coragem de abrir uma porta ou enfrentar o labirinto.

Porém ele... Tentou, se interessou. Foi o primeiro que se preocupou com as salas mais escondidas. A escuridão de certos quartos talvez o tenha engolido.


(02-12-11)

A garota sem sentimentos.

Estar sempre sorrindo não é tão difícil. Eu tenho facilidade em pegar meus problemas e minhas tristezas e guardá-los. Lá no fundo, numa caixa bem longe do olhar dos outros. Eu consigo enganar a todos, e talvez, principalmente a mim mesma.

Eles pensam que não há sentimentos, além de alegria. Está tudo preenchido com uma euforia demente. São tantos que acham que, por não ter sentimentos, podem usar e machucar... Ela é forte. Não sente nada.

Pois estão errados. O sentimento que sempre prevalece é o medo. Medo de ser rejeitada, do olhar de cima. As pessoas podem se afastar ao descobrirem a verdade.

Não... É mais fácil esconder. Ninguém precisa saber que a garota sem sentimentos chora todas as noites
na cama, escondida de tudo e de todos.

(23-11-11)

sábado, 26 de novembro de 2011

Blackbird ~

I'm a little bird.
Really small in a large world. I want to be part of this world. I just want to fly by myself, with my own wings. I want to be independent. But I'm so weak and immature. I can't support the whole world, even if I try. And the point is... I really tried. I tried to make things happen, but I couldn't. I'm too small for everything. In some way, for me, the expression "by myself" means "all alone". I'm trying to change. I don't want to be that egoistic. I want to be someone who people can love. But I'm really small, and it's hard to leave the nest. Even when I'm determined, that I'm sure I will fly... without falling. I need help. I will open my small wings. I will sing an old song with my small beak. And I will fly, like a gorgeous and great bird.
(15-10-11)

Kissing The Christmas Killer - O Conto

Eu era uma enviada do céu
Trocando palavras que eu jurei que
Todo pedaço de mim ainda pertenceria
Sempre e um dia
Para alguém que se importou
Tudo que pode haver
Já pôde haver


Você veio
Agora eu vou contra tudo
Promessas que eu fiz, e aqui estou eu
Caindo por seu amor
Ou eu estou perdida no céu
Eu não sei de mais nada
Não sei de mais nada


Julgamento será feito
Em um dia de Natal
Escondido na neve, ele está a minha espreita


"Brinquedos se você foi boa
Punhais se você não foi"
Melhor roubar um beijo antes que eu tenha ido
Eu tenha ido

Kissing The Christmas Killer - Maaya Sakamoto

Conto baseado na música Kissing The Christmas Killer da Maaya Sakamoto. Ouça aqui!

Kissing The Christmas Killer - O Conto 

Ele atacava sempre nas semanas natalinas. Usava seu melhor blazer e sua melhor colônia. Preparava-se para a caçada. Quem seria sua próxima vítima, nem mesmo ele sabia. 

Há anos tinha essa mesma rotina. Já estava familiarizado com o processo e as ferramentas. Aquele mesmo blazer que várias vezes fora lavado guardava histórias sangrentas que seus ouvidos nem acreditariam caso as mencionasse. 

Suas vítimas eram as de sempre. Escolhidas a dedo em meio a várias outras que, como elas, apenas faziam suas compras para a data tão especial que estava por vir. Garotas fúteis, e sem nenhum atrativo interior, apenas seus corpos que exibiam sem pudor. Essas, sim, faziam parte da lista dos malvados. A última vítima nem parecia ter se dado conta do que houve. Tão tomada pela luxúria e pela bebida que só percebeu seu triste desfecho quando a lâmina da faca estava a centímetros de seu rosto. 

Eram crimes brutais. Horríveis de se pensar. Provocavam pesadelos em todos. O medo sempre prevalecia na época natalina pelo vilarejo. O famoso serial killer conhecido como "Noel" ainda não havia sido preso e a cada ano, seus assassinatos se tornavam mais violentos. 

Ele andava em meio a multidão, olhando com vasta atenção mesmo que não fosse notada. Observava falas e ações. Hoje, particularmente, estava inquieto. Queria logo achar seu alvo. Seria seu trabalho mais memorável. 

Então ele a avistou. Tinha a pele branca, olhos grandes e curiosos de leve tom azulado, cabelos negros caindo-lhe a face. Era ela a escolhida. Ele nem sabia o por quê. Ao longo dos anos, ele acabou por perder a sanidade. Naquele momento, o que lhe importava era matar. O gosto da vingança, o sangue quente escorrendo-lhe a mão. Tudo isso fazia seu coração bater com imprecisa rapidez. 

Aproximou-se da moça de maneira singela e despercebida. Ela, tão entretida a analisar os produtos, nem percebeu a repentina aproximação do rapaz. Ele ficou a observá-la. Cada traço, cada expressão que seu rosto exercia, cada contração involuntária de seu corpo. Fazia parte do seu processo também. Guardar cada aspecto de suas vítimas em sua memória, como se fosse um troféu a ser estimado. 

A garota, distraída, se virou finalmente, como se tivesse enfim decidido o que comprar. Que surpresa foi esbarrar de frente com o charmoso e misterioso homem. Como por encanto, ela se atraiu por ele. Existia algum magnetismo em toda a aura do desconhecido. Seu olhar marcante a chamava. Era como se trocassem palavras sem nem, ao menos, abrir a boca. 

Ela, tomando uma iniciativa, o convidara para um café. Age como se o conhecesse há tempos, talvez numa outra vida. O rapaz aceitou com um sutil gesto de cabeça. Sua batalha já estava ganha. 

***

Ao menor período de tempo, lá se encontrava a moça, na casa de um completo estranho que a havia conquistado com poucas palavras. As últimas horas haviam sido como a calmaria do mar. Ela estava apenas flutuando na água, deixando-se levar pelas ondas. 

O rapaz, feliz com seu alvo fácil, levou-a direto para sua área de trabalho: seu quarto. Apresentou-lhe a cama e ela se sentou. Como procedimento, acariciou suas madeixas e a deitou na espaçosa cama. Como amantes de longo prazo, ela se entregou para o desconhecido. Ele a despiu carinhosamente e se levantou da cama, sem dizer nada. 

Era chegada a hora. Uma simples ferramenta, sua antiga amiga. Era o suficiente para silenciar sua ansiedade e inquietação. 

Assim, ao se voltar para ela novamente, já não estava de mãos vazias. Ele segurava um grande facão, com sua lâmina tão bem afiada e brilhante. 

A escuridão já havia tomado todo o quarto, apenas iluminado por uma réstia de luz vindo da janela; A lua estava cheia. A agitação tomava o corpo do frio assassino. Ali estava mais uma presa, tão indefesa e frágil, nem suspeitava do que estava por vir. Mais um dos malvados seria executado. 

Aproximou-se dela rapidamente e, com um golpe frio e certeiro, atingiu seu estômago. O sangue começou a escorrer de sua barriga nua, aumentando cada vez mais a adrenalina do serial killer. Os olhos dela se abriram de imediato, porém não pareciam surpresos nem mesmo assustados. Eram suplicantes e doces. Aquilo incomodou o assassino, sempre gostava de admirar o desespero humano nos olhos de suas vítimas. Porém, esses, por algum motivo, nem ao menos continham o apego à vida. 

- Eu sempre... - ela começou a falar vagarosamente. - procurei uma razão para a vida. - À meia luz ele viu as marcas não cicatrizadas nos pulsos da moça; O desespero foi o tomando. - Agora eu percebo que foi apenas para eu te encontrar. 

Ela passou sua mão já pálida no rosto de seu executor e beijou seus lábios levemente. 

- Você... O primeiro que realmente entendeu meu verdadeiro e maior desejo. 

Assim, ela se foi e seu corpo ficou frio. Seu assassino a segurava firme em suas mãos trêmulas. Ele permaneceu assim por um longo tempo, até que deixou cair sua primeira e última lágrima. Ela escorreu de seus olhos, caminhou por sua face e finalmente repousou na testa do cadáver. 

Então ele fugiu, para sempre. Para longe de onde repousava sua ladra de beijos. 

~*

É isso, pessoal. :3 Esse foi meu primeiro trabalho com um tom mais dramático e suspeito. Foi um treino para mim, já que não sou muito boa em descrições também. Ainda tenho muito o que melhorar, mas estou muito feliz com o resultado. Talvez esse seja um dos trabalhos que eu mais me orgulho. Obrigada a todos que leram. Comente o que acharam. 

Até o próximo post! (:


Raposa de Quintal. ~

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."

Talvez eu nunca havia sentindo o real peso dessas palavras. Eu nunca havia entendido o verdadeiro significado. E hoje, sinto na minha pele. Meus ombros carregam  toda essa responsabilidade. Eu cativei alguém. De um modo que eu pensei não ser possível. Essa pessoa criou uma dependência obsessiva. Não a culpo. Eu sou a culpada.

Eu sou responsável por essa pessoa. Porém eu não sou madura o suficiente. Eu não tenho a que me apoiar e não sei como agir. Eu optei por abandonar alguém que afirmava estar ao meu lado e, mesmo assim, servia apenas de peso. Nunca pude ver uma resposta.

Meus pensamentos não conseguem clarear. Ninguém entende e todos julgam. A vilã sou eu, não é mesmo? Eu fui insegura, eu fui fraca. Eu fui egoísta. E, mesmo após ser cruel a ponto de querer dar um ponto final, eu continuo machucando. Meus atos sempre estão errados. Eu não acerto uma. Sinto-me perdida. Eu procuro uma solução, mas tudo o que está ao meu redor desaba. E forma uma fortaleza escura e sem saída.

Eu fico presa, tendo apenas como companhia meus erros, meu egoísmo, as lágrimas derramadas por alheios. Por mais que eu tente, empurrar as pedras que formam minha fortaleza, é inútil. Porque ninguém do outro lado se dispõe a ajudar, a me dar uma luz. Mesmo tendo alguém lá, apenas esperando.

Não precisa de iniciativa. Eu posso iniciar o processo, mas não consigo terminá-lo sozinho.

(25-09-2011)

domingo, 17 de julho de 2011

Você. ~

Às vezes, é como se eu esquecesse o passado e tudo aquilo que aprendi sobre você. Não tenho certeza de como explicar isso, mas é assim que eu me sinto. Eu acabo esquecendo suas maravilhosas qualidades. Seu entusiasmo, sua teimosia, sua timidez terna, seu coração tão puro e sincero. Há tantas qualidades suas que eu admiro e adoro. Acho que, às vezes, esqueço os motivos pelo qual me apaixonei. É que hoje não vejo um motivo sequer para não amar você, mas apenas esqueço as coisas que mais me atraíram em você. E é tão bom lembrar de tantos detalhes bonitos sobre você. Queria que estivesse aqui. Que eu pudesse te abraçar e senti-lo mais perto do que nunca. Para que eu possa saber que é real. E que não é apenas outro sonho. Uma prova de que eu também mereço o amor. 
27-01-2011

Minha razão. ~

É tão fácil assim gostar de alguém? A ponto de fazer os sentimentos tomarem conta de seu corpo e esquecer o que é certo ou errado. Esquecer como era a vida, e se perder em meio ao devaneio de emoções. Assim, percebe-se o quão vazia era a sua rotina antes e vê que, sim, você tem uma razão de vida. Você tem o direito de estar vivo, sabendo que tem um lugar no mundo. 
30-03-2011

Sem calor

Eu queria saber me expressar. Queria poder ser honesta, e usar outros meios para expressar devoção. Mas eu só sei usar palavras, eu só posso usar palavras. Mas são suficientes? Para você, é suficiente? Eu apenas escrevo palavras sem calor humano, sem expressão. Eu quero sentir e abraçar seu coração. Se for possível... 
30-03-2011

terça-feira, 5 de julho de 2011

The Fool ~

I know that.
It's impossible for people to understand 
what a fool is thinking. 
And that's why he live alone 
and feel alone. 
He wants to be understand.
He wants to have a friend. 
Somebody to love him. 
Love him for who he are. 
When he finally be himself... He will be free. 

~*
Quanto tempo! Estou oficialmente de volta. São tantos textos que eu guardei durante esse meio tempo em que estive ausente que nem sabia por onde começar. Mas aqui está um deles. Espero que não se importem de que seja apenas alguns versos. Obrigada por tudo. ~

Até o próximo post! (:

quarta-feira, 2 de março de 2011

Capítulo 9 - ~* Apenas Juntos *~

Capítulo 9 – Ano-Novo.

Fui dormir tranquilamente, imaginando o quanto seria diferente essas férias e ingenuamente acreditando que acordaria de uma forma graciosa e tranquila, sem nenhuma intromissão de pessoas indesejáveis. Quão ingênua eu fui. Em que mundo de fantasia eu teria uma noite completamente calma dentro do hospício que eu chamo de “casa”. Nenhuma possibilidade.

- Nossa, cara! Olha o lago de baba que ela fez no travesseiro. – disse uma voz conhecida.

- Não fale assim, Ransho. Nee-sama fica linda até dormindo. – disse uma outra voz conhecida.

Abri vagarosamente os olhos e havia dois rostos bem próximos ao meu, encarando-me. Eram Ransho e Motoko.

- Por que diabos vocês estão aqui? Uma pessoa normal não pode dormir em paz uma vez na vida?

- Claro que sim. Mas você não é uma pessoa normal. Muito menos nós. Então você não tem direito de dormir em paz. Pelo menos aqui em casa. – disse Ransho, sorrindo marotamente. 

Suspirei, sentando-me na cama.

- Na verdade, viemos te acordar para ir tomar o café da manhã. Todos já estão acordados e com fome. Mas mamãe não deixa ninguém comer até todos estiverem juntos. Então nos encarregamos de acordar você, nee-sama. – falou Motoko. – Não imaginava que você fosse tão dorminhoca...

- Ah, já é essa hora? – falei, olhando para o relógio de parede do quarto. – Vou apenas trocar de roupa. Podem ir descendo e digam que já estou indo.

Ransho e Motoko saíram do quarto e escutei seus passos sumir escada a baixo. Levantei-me, ainda sonolenta. Tirei meu pijama, e coloquei uma roupa. Desci as escadas, e entrei  na sala onde todos estavam sentados numa mesa farta de comida e com vários rostos irritados de fome.

- Bom dia, família. – falei a todos, com certo constrangimento no sorriso.

- Bom dia, filha! Agora sim, vocês podem comer. – falou minha mãe.

Todos começaram a se servir, após um alto e sonoro “Itadakimasu!”. Como uma boa anfitriã e uma impecável dona-de-casa, minha mãe caprichou em toda a comida, sem dar um motivo para reclamações. Após todos se servirem e ficarem satisfeitos, levantaram-se, cada qual indo para um lado da casa.

Como era dia 31, a família estava eufórica pela festa de Ano-Novo. Todos deviam ajudar para tornar a passagem do ano a mais agradável possível. Com certeza seriam três longos dias de comida, diversão e mochis. Logo após o café-da-manhã, minha mãe mandou eu e Kakyou irmos na mercearia comprar ingredientes para o grande banquete que ela prepararia para o jantar daquele dia. Pegamos os casacos e calçamos os sapatos, saímos para o dia nebuloso que estava. O frio entrava pelas minhas narinas, e era possível ver minha respiração. As pessoas deviam estar muito ocupadas com a festa, pois não se via muitas pessoas pela rua. Ao chegarmos à mercearia, tirei da bolsa a lista que minha mãe havia feito e vagamos pela mercearia, procurando os vários ingredientes. Durante o caminho de volta, perguntei a ele como havia sido sua noite. Ele respondeu:

- Foi calma. Dormi bem.

- Estranhou o frio? – perguntei.

- Na verdade, não. Achei uma noite bem agradável até. – respondeu vagamente.

- Sério? Achei bem fria. Desacostumei co o frio demasiado daqui. – falei rindo de mim mesma.

- Sou menos fresco que você. – falou convencido.

- Ah é, senhor “sou demais”? Que horas você acordou, então?

- Às seis. – falou simplesmente, então sorriu.

- Como assim? Por que você acordou tão cedo? – perguntei surpresa.

- Fui obrigado. Acordei com Ransho no meu quarto, com uma lata de chantilly na mão. Provavelmente para me pregar uma peça.

-Sinto muito por você. - falei rindo. – Não imaginava que ele faria isso com você também.

- Também?

- O primeiro Ano-Novo que Yuki passou conosco foi assim. Mas ele não foi tão esperto quanto você. 
Acordou com o rosto cheio de chantilly. – respondi, relembrando.

Continuamos nossa caminhada para casa, conversando. Quando chegamos na rua de casa, encontramos uma antiga amiga dos tempos do colegial. Seu nome era .... Ela era uma garota miúda com cabelos acima dos ombros. Muito tímida e reservada. Fazia um bom tempo que eu não a via.

- Olá, Amamiya-san. Não sabia que havia voltado. Veio apenas para o feriado?

- Sim, Chieko-san. Dia três já estarei voltando. – respondi. – Ah, sim. Esse é um amigo meu, Shizuka Kakyou.

Chieko olhou para ele, parecendo só ter percebido a presença dele naquele momento. Observou primeiramente o rosto, e depois o olhou de baixo a cima. Seu rosto se iluminando a cada centímetro que seus olhos perpassavam pelo rosto e corpo de Kakyou. Mirou seus olhos novamente para o rosto dele.

- Muito prazer, Chieko-san. – falou ele, polidamente.

Os olhos dela brilharam por um segundo e um singelo sorriso se abriu no rosto dela.

- O prazer é meu, Shizuka-san.

- Bem... Temos que ir, Chieko-san. Preparativos para o Ano-Novo. Mamãe está querendo fazer um banquete gigantesco. - falei, disfarçando um sorriso. 

Seu sorriso desapareceu. Parecia pensar em algo. No fim, se chegou a uma conclusão, não expôs. Apenas se despediu e apressadamente seguiu seu caminho.

Continuamos andando até a entrada de casa. Desviei meus olhos com um profundo desagrado, fazendo-me perder todo o espírito de festa. Observei a expressão de Kakyou. Não parecia diferente de antes. Mas duvidava de que ele não tivesse percebido o que eu havia. 

- Pensando bem... Kakyou é um rapaz bonito. Deve passar muitas vezes por isto. Talvez ele houvesse aprendido com o tempo a ignorar. Apenas mais uma garota que parecia interessada por ele. Para ele, não deve nem ao menos importar. - pensei. 

Suspirei, cabisbaixa. Por algum motivo, eu me sentia chateada com isso. Tanto com o fato de uma garota gostar dele quanto com ele não se importar com qualquer garota que se interesse por ele. 

- Tadaima... - falei ao entrar em casa. 

Dirigi-me a cozinha com as compras, sendo seguida por Kakyou. Encontrei uma Motoko lacrimosa junto às cebolas e mamãe administrando várias panelas no fogão. 

- O que eu faço, mãe? - perguntei, sentando-me. 

- <....>, querida. Por favor, corte os legumes com sua irmã. 

Comecei a revirar gavetas sem prestar muita atenção, sem êxito em achar as facas.

- Mãe, cadê as facas?

Minha mãe me olhou surpresa e falou:

- Estão aqui. - e apontou para a gaveta ao lado da pia. 

Abri e peguei uma faca. 

- A senhora mudou-as de lugar?

- Não. Elas ficam aí desde... Sempre. Não é costume seu esquecer onde fica as coisas na cozinha. 

Corei um pouco e percebi um certo bater de dedos na mesa da cozinha característicos de Kakyou. 

- Ah, sim. Estou distraída hoje. 

- Tudo bem. Se puder cortar os  legumes sem perde um dedo já é o suficiente. - falou minha mãe, rindo. 

Comecei a cortar os legumes, ainda distraída. Dei algumas olhadas de esguelha para Kakyou. Senti que ele estava aborrecido, mesmo que não não transparecesse. Por muitas vezes, quase cortei meu dedo, mas logo consegui terminar essa tarefa ilesa. 

Em seguida, fiz alguns mochis com Kakyou. Sorri ao perceber que ele não era muito habilidoso com as mãos. Não conseguia de jeito nenhum deixar o mochi na forma ideal. Após acabarmos, minha mãe nos expulsou da cozinha para nos arrumarmos. Subimos as escadas em silêncio. Ao pisarmos no segundo andar, Kakyou abriu a boca para falar algo:

- <....>...

Mas eu nunca soube o que ele ia falar. No momento em que ele pronunciou meu nome, Motoko apareceu atrás de nós, agarrou meu braço e me puxou dizendo algo sobre querer que eu a ajude com a roupa. Olhei para trás e vi Kakyou com um leve sorriso, não tão feliz mas não exatamente triste. Parecia... hesitante. 

Quando pude perceber já estava arrumada e, por algum motivo, meu cabelo estava amarrado em uma longa trança e Motoko estava passando um pincel no meu rosto. Fiquei tão distraída que Motoko se aproveitou para abusar do meu corpo. Sintia minha cabeça pesar agora apenas com aquela fina camada de maquiagem e me sentia extremamente desconfortável com a pesada trança que balançava a cada passou que eu dava. 

Desci as escadas com um breve desânimo criado pelos longos acontecimentos daquele dia. Apenas minha mãe estava lá embaixo, dando os último retoques na comida. Sentei-me e fiquei observando ela caminhando pela cozinha. Então virou-se para mim:

- Ah, querida. Não havia percebido você aqui. Está tudo bem com você, minha filha?

- Eu acho que sim. Não sei... É apenas uma sensação estranha. Não estou entendendo o por quê disso. Eu... - suspirei.

Minha mãe não respondeu de imediato, apenas me observou. Então sorriu, como se tivesse entendido tudo aquilo que me atormentava naquele momento. O instinto de mãe infalível... Abraçou-me ternamente e disse apenas:

- Está tudo bem. Não precisa  se preocupar. Apenas busque seus objetivos sem olhar para trás. Não importa o que seja. Ou quem seja...

Nesse momento, ouviu-se um passo entrando na cozinha. Olhei para a porta e vi Kakyou.

- Desculpe-me. Atrapalhei algum momento importante? - sorriu.

Algo estalou dentro de mim. Agora eu entendia. Era ele. Apenas ele. Eu sentia um carinho especial por ele. Eu gostava dele, eu estava apaixonada por ele. Eu não conseguia lidar com a ausência dele, eu não aguentava imaginar ele com outra pessoa. Eu amava aquele sorriso, eu queria saber mais sobre ele, não queria vê-lo preocupado ou triste. Ele já era muito importante.

Mesmo sem saber dos próprios sentimentos dele, meu corpo foi se enchendo de felicidade. Como se derretesse todas as minhas preocupações, me senti mais leve. Eu tinha uma vontade se sorrir, de pular e principalmente, uma vontade de pular em cima de Kakyou, dizer que o amava, queria novamente estar prestes a beijá-lo. Mas agora sabendo por que desejava isso.

- Não, Kakyou. Estava apenas conversando com minha mãe. Coisa de mãe e filha. - falei, alegre novamente.

Ele arregalou levemente os olhos e sorriu, afinando os olhos.

- Nossa. Interrompi uma coisa tão séria assim. <....> está crescendo, mas ainda quer o colo da mãe. - falou, rindo levemente.

- Hey! Não é assim. - sorri. - Idiota.

- Parem de brigar e vamos lá para fora. Temos que levar as comidas.

Pegamos algumas travessas e panelas de comida. Levamos-as ao quintal onde ocorreria a festa. Assim que terminamos de trazer toda a comida, todos apareceram para o jantar.

A noite foi recheada de conversas entusiasmadas, risadas e piadas de Ransho. Até meu pai parecia menos ranzinza. A comida estava excelente, como previsto. E após a comida, meus pais subiram para dormir. Enquanto o resto de nós, permanecemos conversando durante a noite inteira, com alguns bocejos ocasionais.  Com a aproximação do nascer do sol, subimos no telhado e sentamos para esperar os primeiros raios de sol do ano. E eles chegaram de forma graciosa.

- Vai ser um ótimo ano... - falei baixo, institivamente.

- Com certeza... - respondeu Kakyou.

Virei-me para Kakyou. Ele sorria. Sorri como resposta. Enquanto meus irmãos, já iam descendo o telhado e só permaneceu eu e Kakyou lá, ele pôs uma das mãos no meu rosto singelamente e deu um leve beijo na minha testa.

- Feliz Ano-Novo... - disse, com seus lábios ainda próximos de minha testa.

Se o ano fosse tão bom quanto foi o início, eu não precisava ter medo de nada. Afinal... Estava tudo bem.

~*

Vocabulário
Nee-sama - Pelo pé da letra... "Irmã".
Itadakimasu - Expressão dita antes das refeições.
Mochi - Bolinho doce feito de arroz socado no pilão. Tradicionalmente comido no Ano-Novo. 
Estranhou o frio? - Se vocês voltarem alguns capítulos, vão descobrir que a casa dos pais de <....> moram em Sapporo. Sapporo é a capital da província de Hokkaido. É a ilha mais ao norte do Japão, consequentemente a mais fria.
-san - Pronome de tratamento utilizado como sufixo. Equivalente ao senhor/senhora/senhorita.
Tadaima - Expressão usada quando se chega em casa. Equivalente a "Cheguei!". 




Finalmente eu consegui. Não tenho muita coisa para escrever. Só espero que leiam e gostem. Desculpe-me pela demora. 


Até o próximo post! (:

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Seis meses.

Antes, o mundo era preto-e-branco. Era um mundo devastado de tédio e desesperança. Eu vivia uma sensação próxima ao de cair em um buraco. Um buraco escuro e profundo. Passando repetidamente pela mesma negritude, apenas esperando que finalmente chegasse ao fundo. Uma rotina incomparável de terror.

Nesse meu mundo sombrio, eu sofria. Pois buscava a todo custo uma estrela que brilhasse para mim e iluminasse minha vida triste. Mas, por algum motivo, aquela estrela nunca poderia ser minha, nunca poderia iluminar meu caminho. Ainda assim, eu guardava esperanças. Eu sonhava pelo dia em que essa estrela finalmente me notasse e me protegesse.

Chegou uma hora em que essa esperança murchou e eu acreditava que aquilo seria o fim. Não importava mais quando eu bateria no fundo daquele buraco. Aquela luz já estava muito longe. Então eu fechei os olhos, para esperar o fim. Nesse momento, senti algo ofuscando e um calor invadiu meu corpo, esquentando cada parte do meu ser gelado. E meu coração começou a se encher de algo, de um sentimento que eu nunca havia provado antes. Abri os olhos e lá estava... Tão belo, tão próximo, tão caloroso... Era você, com sua luz digna de um sol. De repente tudo se iluminou e vi que eu já não estava num buraco e tudo estava mais colorido. E, há seis meses, meu mundo está assim, feliz. E graças à apenas uma pessoa... Você. Eu te amo, Marllon de França Rodriguês.

O que é o brilho de uma estrela, 
comparado à luz de um sol?

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

~* Apenas Juntos *~, um ano. ♥ ~


Olá, passarinhos cantantes!
Hoje venho aqui com um post para comemorar o um ano em que eu escrevo meu primeiro romance sério: Apenas Juntos.

Há um ano atrás, eu me sentia agoniada. Eu observava o blog e observava. Faltava algo. Eu queria mudá-lo e melhorá-lo, trazer algo diferente para o blog que tornasse mais acompanhável. Então decidi escrever um texto, sem compromisso, sem esperar algo realmente. E, sinceramente, o primeiro capítulo não foi aquelas coisas, né? Mas eu gostei. Eu gostei de escrever.

O tempo foi passando e eu continuava escrevendo novos capítulos. Com isso, eles ficaram cada vez maiores e melhores escritos. Eu passei a prestar mais atenção às regras gramaticais, consegui detalhar ambientes e sentimentos, além de formar diálogos mais lógicos.

Além disso, consegui criar um clímax. Fiz problemas e conflitos, e muitas outras situações que, com certeza, irão deixá-los surpresos. Também estou orgulhosa de conseguir incluir novos personagens com seus próprios conflitos.

Eu, sinceramente, me apeguei aos personagens. No começo, eu sentia que cada personagem era baseado em algum personagem de anime. Por exemplo, Kakyou com o Kureno de Fruits Basket, Aiko com a Mei de Ouran, <....> com a Uotani de Fruits Basket e Yuki com o Fujimoto de Kobato. Mas hoje, eles são personagens independentes. São os meus personagens. Eu os criei. E não existe orgulho maior do que ter algo que você mesmo criou. Eu amo meus personagens e cada um é como uma parte de mim. Uma sombra de minha personalidade. É como se eu os conhecesse, como se fosse amigos ou até filhos. Cada um deles são meus filhos e como qualquer mãe, fico orgulhosa de poder vê-los crescer e aprender a lutar por seus objetivos.

Estou ansiosa para conhecê-los melhor. E vocês, leitores, espero que estejam tanto quanto eu.

Agradecimentos especiais à minha mãe e meu pai que sempre me apoiaram quanto a minha ambição de ser escritora, à Gabriela que, apesar de tudo, sempre apoiou Apenas Juntos, ao Magi que sempre ajudou no encaminhar do blog, à Yuu-chan que desde sempre está cobrando novos capítulos e fez o favor de fazer a capa e cuidar do visual do blog, a Mariana, minha professora do curso de Redação da Unb, que está corrigindo os capítulos e, é claro, a todos aqueles que lêem o blog e Apenas Juntos.

Obrigada por tudo, pessoal. O blog e Apenas Juntos só existe por causa de vocês.

Até o próximo post! (:

domingo, 23 de janeiro de 2011

Música.

É um sentimento estranho. Como se eu quisesse gritar, cantar, me soltar dessas amarras. Que me prendem, fazendo me esconder. Ah, se eu tivesse um palco agora. 

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Para sempre nunca.

Sempre. Uma grande palavra. Tão complicada e comprometedora. Quando usada, torna-se uma promessa. Às vezes... Que nunca pode ser realizada. "Felizes para sempre". Outra promessa irrealizável. Isso existe? "Para sempre"? É normal desejar o sempre? Quando você sabe que é impossível. Nós mentimos para nós mesmos e mentimos para aqueles que amamos, pois o "para sempre" não existe. E tentar alcançá-lo só trará mais dor. Pior do que um sonho impossível é uma luta em vão. Então aproveitar o "aqui" e o "agora" é a única saída. Porque tudo muda, tudo acaba. E o que sobra são apenas lembranças de um tempo distante. Como se nunca tivesse acontecido.

Para sempre nunca... 

domingo, 2 de janeiro de 2011

Capa de ~* Apenas Juntos *~

Olá, passarinhos. :3 
Vim aqui para trazer a capa. Sim, a capa de Apenas Juntos. Improvisada pela minha doce amiga Yuu-chan. *-* 
Amo ela. Beijos. :* 
Aqui vai... 

Bonita, né? Pois é, gente. Só isso por enquanto. Logo, logo trago um post sobre a Maaya. 

Até o próximo post! (: 

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Capítulo 8 - ~*Apenas Juntos*~

Capítulo 8 - Primeira impressão

Na manhã de 30 de dezembro, eu estava em meu quarto preparando-me para a viagem. Até que duas batidas na porta, interromperam-me.

- Está pronta? - perguntou Kakyou com um tom impaciente.

- Sim, já estou indo. - respondi e olhei uma última vez meu reflexo no espelho.

Peguei minha mala de mão e saí do quarto, de encontro com Kakyou.

- Pegou tudo? - perguntou, um pouco angustiado.

Confirmei com a cabeça.

- As passagens também?

- Claro. Elas estão bem aqui. - abri minha pequena mala de mão para pegá-las.- Opa...

- "Opa"? O que houve? - falou Kakyou exasperado.

- Estou brincando... - respondi rindo. -  Está pronto?

- Há mais de uma hora. - falou, arqueando a sobrancelha.

Juntei as malas e conferi se todas estavam lá.

- Mas falta uma hora e meia para o embarque do trem. Estamos bem adiantados. - falei.

- Mesmo assim, não faz mal chegar com uma hora de antecedência.

- E vamos fazer o que até o embarque? Contar quantos trens passam pela estação?

- Melhor do que se atrasar.

Sorri. Não imaginava que Kakyou fosse tão organizado a ponto de ficar desconcertado com a simples possibilidade de atraso.

- Então me ajuda a carregar as malas, estressadinho. - falei, rindo.

Juntamos as malas e saímos para guardá-las no táxi que estava parado ali por um bom tempo com um motorista já adormecido pela demora. Era um dia relativamente agradável com um céu nebuloso e neve cobrindo as ruas, calçadas e tetos das casas. Um clima perfeito para uma viagem de trem.

Na estação, esperamos cerca de 40 minutos até o nosso trem sair para tomar seu destino. Mesmo dentro do trem, o frio permanecia presente e eu tremia pois havia esquecido a jaqueta dentro da mala. Kakyou havia saído para pegar um chocolate na cozinha do trem. Só percebi que ele havia voltado quando senti um peso sobre meus ombros. Ele tinha me dado seu casaco e, em seguida, me entregou o chocolate enquanto se sentava na poltrona do meu lado.

- Viu? É isso que dá se arrumar em cima da hora. - falou.

- Não. É isso que dá ficar me apressando quando eu estava me arrumando. - retruquei e dei um gole no chocolate.

O calor do chocolate desceu pela minha garganta e chegou ao meu estômago, espalhando maciez de seu sabor pelo meu corpo perturbado pelo frio. A viagem se estendeu agradavelmente e, no começo da noite, chegamos na estação. Na saída do trem, já era possível ver um rosto conhecido. Meu irmão mais velho esperava-me no meio da multidão de pessoas sorridentes por reverem familiares e amigos. Ele também sorria.

Nii-san! - gritei para ele.

- <....>! - ele respondeu ao meu chamado, andando apressadamente em minha direção.

Logo que ele estava bem próximo de mim, Kakyou desceu do trem e deu de cara com meu irmão.

- Ah, sim. Rikuo, esse é Kakyou. Ele é um amigo meu.

Rikuo arqueou a sombrancelha. Ele não era muito receptivo quantos pessoas novas, principalmente meus amigos homens. Foi uma luta fazê-lo aceitar Yuki e tenho a impressão de que com o Kakyou será apenas pior. Na realidade, ele era apenas muito protetor. Eu o agradeço muito por isso, mas eu não poderia deixar de sentir pena de Kakyou e Yuki. Mesmo assim, acho que esse tipo de comportamento combina com Rikuo. Até a aparência contribui para isso. Tinha olhos atentos e marcantes, membros sempre rígidos e um rosto que exprimia responsabilidade.

- Muito prazer. Sou Shizuka Kakyou. - fez uma leve reverência. - Estou muito agradecido por poder passar o Ano-Novo com a família de vocês.

- Claro... - respondeu vagamente.

Pegamos a mala e as guardamos no porta-malas do carro de meu irmão. O caminho até a casa de meus pais foi silenciosamente constrangedora. Apenas algumas vezes meu irmão me perguntou sobre a vida na faculdade e sobre Yuki e Aiko, mas em nenhum momento se dirigiu a Kakyou. Enfim chegamos ao nosso destino.

Organizamos-nos para levar as malas até a porta. Quando abrimos a porta e Rikuo começou a falar um "Tadaima", algo veio de encontro a mim. Algo bem pesado.

Onee-sama! - ouvi alguém gritar no meu ouvido.

- Socorro... - falei, enquanto era sufocado pelo abraço de Motoko.

Por ironia do destino, ninguém me socorreu da "psicopata abraçadora". Rikuo continuou retirando os sapatos, enquanto falava:

- Pessoal, <....> chegou!

As pessoas começaram a sair para vir nos recepcionar.

- Motoko! Solte sua irmã! Quer matá-la? Por isso que ela não vem nos visitar.

Motoko me soltou, deixando-me respirar. Não entendo por que tanto ela quanto Aiko têm o costume de me abraçar dessa maneira brusca todas as vezes que me encontram.

- Isso não é verdade, mãe. Você sabe que eu... - comecei a falar.

- Está muito ocupada com a faculdade. - ela completou, esboçando um sorriso brincalhão. - E quem é esse aí que está escondido? Será Nayuki-chan?

Minha mãe se aproximou para vê-lo melhor.

- Nossa, <....>. Quem é esse seu "amigo" tão bonito? - falou minha mãe com os olhos brilhando.

Mamãe era uma senhora baixa e alegre. Tinha os cabelos levemente grisalhos presos num coque mal-feito e usava um avental impecavelmente limpo. Tinha uma mente calculista e vivia me empurrando para homens. Nesse momento, já deveria estar armando um plano para Kakyou e eu.

- Esse é Kakyou. Um amigo. Ele disse que passaria o Ano-Novo sozinho, então pensei em chamá-lo para comemorar conosco.

- Claro, claro. Que notícia maravilhosa! Quanto mais gente, melhor.

- Oh! <....> trouxe o namorado para apresentar a nova família. - falou Ransho, enquanto descia a escada. - Quer uma dica, amigo? Foge, porque essa família é uma loucura só.

Ransho era meu outro irmão mais velho. Ele é o irmão gêmeo mais velho de Rikuo, apenas cinco minutos mais velho. Ransho era idêntico ao Rikuo na aparência, mas a personalidade deles eram extremos opostos. Enquanto Rikuo era o sério e responsável, pode-se dizer que Ransho era o palhaço oficial da família. Sempre nos fazendo rir. Sempre gostava de me irritar desde nova. Ele e Rikuo eram dois anos mais velhos que eu.

- Esse é meu irmão mais velho, Ransho. Não se importe com a falta de cortesia dele. Ele sempre é assim. - eu disse.

- Muito prazer, Yumi-san, Motoko-san e Ransho-san. Sou Shizuka Kakyou. Obrigada por me receberem no feriado. Espero não estar atrapalhando nada. - falou com um tom um tanto estranho. Senti que mais tarde, ouviria um bom sermão de Kakyou.

Os olhos da minha mãe começaram a brilhar com mais intensidade e falou:

- Que garoto educado e que voz bonita! Não se preocupe. Estamos muito felizes de recebê-lo aqui.

- E a senhora está bem? <....> comentou que a senhora estava um tanto quanto doente. - perguntou Kakyou.

- Claro que sim. Tenho uma saúde de ferro. Um simples resfriado não pode me derrubar. - respondeu.

A conversa estava muito agradável enquanto andávamos lentamente pelo hall da casa, até que a voz rouca de meu pai alcançou meus ouvidos.

- <....>, não esqueceu-se de falar com seu pai?

- Ah. Olá pai. Quanto tempo. Como anda sua saúde?

Ele se levantou do kotatsu da sala de estar e aproximou-se de mim devagar, com o rosto rígido. Eu odiava aquilo. Aquela face de desaprovação. E o rosto com traços fortes que ele tinha só piorava meu nervosismo. Apesar de não demonstrar, eu sentia medo. Eu temia a desaprovação das pessoas. E meu pai era especialista em fazer isso.

- Finalmente voltou para casa, filha. Quem sabe você não pense em ficar aqui após o feriado, decida voltar a viver na sua verdadeira casa.

O nervosismo foi substituído pela raiva. Era outra coisa que eu odiava. Não aguentava mais essa perseguição com minhas próprias escolhas. Abri a boca para responder, sentindo meu rosto avermelhar.

- Que tal mostrarmos o quarto de Kakyou? - disse minha mãe, provavelmente querendo evitar uma briga familiar.

- Claro, claro... - me virei para seguir minha mãe e Kakyou.

- Quem é esse? - perguntou meu pai com um tom de leve desprezo, assim que percebeu a presença de Kakyou.

Virei-me para responder a meu pai.

- Esse é Kakyou, um amigo.

- Não sabia que tinha um namorado, <....>. - falou meu pai, com um pequeno riso saindo dos lábios rígidos. Mesmo rígido, meu pai ainda possuía o senso de humor característico da família.

- Okay. A família inteira está fazendo complô contra mim. - falei rindo, voltando ao caminho para os quartos.

- Você consegue instalá-lo, não é? Tenho que acabar de fazer o jantar. - perguntou minha mãe.

- Claro. - respondi, enquanto já subia as escadas.

- Cuidado, <....>. Não faça nada que eu não faria. - falou Ransho.

Mandei um olhar irritado para ele. Já no corredor do segundo andar, percebi que Kakyou estava com a mão no rosto, cobrindo a boca.

- Está rindo do que? - perguntei.

- Nada. Absolutamente nada. - respondeu, rindo mais ainda.

- Hunf. Babaca. - falei, enquanto abria a porta do quarto de hóspedes.

Ele entrou e colocou as malas no canto do quarto.

- O futon, o travesseiro e os lençóis estão aqui. - e mostrei o armário. - O banheiro fica no fim do corredor. Acho que é isso... Bem , também tem...

- <....>! - ele me interrompeu.

- Ah, desculpe-me. Fale.

- Você não havia avisado a seus pais que eu viria?

- Bem... Na verdade, não. Se eu tivesse avisado, acho que minha mãe teria aparecido na estação com toda a família, levantando faixas e balões. Para você ter ideia, minha mãe é uma versão mais velha da Aiko. - falei, rindo e tentando disfarçar o verdadeiro motivo.

Kakyou não parecia convencido. Talvez ele soubesse que eu não a impediria de fazer uma recepção extravagante, mesmo que isso realmente não me agradasse.

- <....>, isso tem a ver com seu pai?

- O que acontece é que ele não iria aceitar a visita, minha mãe tentaria convencê-lo e eles acabariam discutindo. Não queria que eles discutissem, sendo que minha mãe está tão frágil.

Sentei-me no chão e fiquei olhando para baixo. Kakyou  sentou-se ao meu lado.

- Até entendo sua intenção. Mas omitir não piora a reação do seu pai, não? Além do mais... Você não pensou como eu me sentiria? Assim sinto que estou atrapalhando mais ainda o feriado da sua família.

- Na verdade, não. Agora que você está aqui, meu pai não vai reclamar de jeito nenhum. Ele é um pouco estranho quanto a isso. E, como eu disse, você não vai estar atrapalhando. Minha mãe fica alegre com uma visita e vai te engordar com tanta comida que ela vai fazer para você. Ransho vai te usar como alvo para provocações. Aiko irá brincar de detetive e descobrirá tudo sobre você. Vai ser divertido...

A face de Kakyou parecia ter congelado diante dos desafios que serão lhe impostos durante o feriado. Eu diria que a face dele expressava o desejo profundo e cada vez maior de sair correndo daquela casa.

- Achava que Ransho estava mentindo quando falou que essa família era louca? Boa sorte. Vai precisar. - levantei-me e estendi a mão para ele, sorrindo.

Ele retribui o sorriso e segurou minha mão para se levantar. Então ajudei ele a se instalar no quarto, enquanto mostrava o resto da casa para ele. Deixei minhas coisas no quarto que até o colegial eu divida com Motoko. Chegamos a cozinha onde minha mãe trabalhava arduamente, tendo como ajudante uma desastrada Motoko.

- Deixa que eu corto isso para você, Motoko. Nós duas sabemos que você não tem talento para isso. - falei, pegando a faca da mão dela.

- Eu sempre digo isso para a mamãe, mas ela sempre me força a ajudá-la na comida. - falou Motoko, sentando-se numa cadeira, ao lado de Kakyou.

- Que nada. Você tem que treinar para quando casar. Quem vai casar com uma menina que nem sabe fazer uma simples sopa? Sua irmã, ao contrário de você, já está prontinha para casar. - falou minha mãe.

Desconcertada e envergonhada com o comentário, quase cortei um de meus dedos.

- Não é bem assim. Além do mais... Não acredito que possa haver alguém nesse mundo que queira casar comigo... - falei, voltando a olhar para os legumes.

Minha mãe permaneceu  olhando para mim, analisando-me. Então sorriu, como se finalmente tivesse entendido alguma coisa. Tenho até medo do que ela deve ter entendido. Quando falam que instinto de mãe é poderoso, não estão realmente brincando.

- Ainda acho que <....> seria a esposa perfeita. Tem um talento genuíno na cozinha. Não concorda, Shizuka-san? - perguntou minha mãe, sorrindo.

- Concordo plenamente, Yumi-san. O chocolate quente da <....> também é maravilhoso. - falou Kakyou.

- Como assim? V-você já p-provou do chocolate da onee-sama? - falou Motoko, vagarosamente.

- S-sim. Algum problema? - perguntou Kakyou, um pouco receoso. E com razão. Estou prevendo algo não muito bom vindo de Motoko.

- Como isso é possível? - falou, espantada. - <....> nunca faz chocolate quente para as pessoas. Apenas para as pessoas mais importantes para ela! Aiko-sama demorou anos para conseguir prová-lo! Yuki-san também. Até os gêmeos e eu temos dificuldade para prová-lo às vezes. Nossa, você deve ser alguém muito especial mesmo...

- Motoko, por que você não vai esperar lá na sala com o pai? Vamos, vamos. Sem mais ataques. - falei, empurrando ela para fora da cozinha.

- Eu ainda vou tirar isso a limpo. Tenho muitas coisas para perguntar para você ainda, Shizuka! - falou Motoko.

Kakyou parecia achar graça disso. Ele sempre parece achar graça dos momentos em que as pessoas me deixam constrangida ou envergonhada. Realmente um babaca.

- Filha, querida, já está quase tudo pronto. Que tal você arrumar a mesa?

- Claro, mãe. Vou pegar os pratos.

Logo a mesa estava arrumada, a comida estava servida e todos estavam na mesa, saboreando a comida.

- Então, Shizuka... - falou meu pai em meio ao jantar. - Trabalha com o que?

- Na verdade, Amamiya-san... - falou Kakyou. - eu sou um editor de livros.

Meu pai curvou a boca em desagrado. Amamiya Akira, um homem realmente difícil de se lidar. Pavio curto, antiquado, teimoso, impaciente. Apenas mais uma figura da família Amamiya. Nada fora do normal. Mesmo tendo tantas falhas, tenho orgulho dele. É tão comum ver pessoas que mentem e escondem suas verdadeiras faces que agradeço pelo meu pai ser quem ele realmente é, sem ocultar nada. Mas não quer dizer que vou desistir de tentar fazê-lo aceitar minhas escolhas. Tudo é uma questão de princípios.

Logo todos terminaram de comer. Agradecemos a comida e foi feita, após várias discussões, a fila para tomar banho. Eu estava em casa, não havia dúvidas. E o aconchego das vozes e presenças daqueles que tanto amam só me acomodaram mais. Dormi docemente na cama que eu costumava usar, apenas imaginando que aventurar me esperavam ao acordar.

~*

ALELUIA! ALELUIA! Finalmente saiu o oitavo capítulo de Apenas Juntos. Espero que gostem. 
Dedicado a Yuu-chan. <3

Vocabulário
Nii-san - Pelo pé da letra... "Irmão".
Shizuka Kakyou - Gostaria de lembrá-los que a história passa-se no Japão. E, no Japão, primeiro vem o sobrenome e depois o nome. Ou seja, o sobrenome de Kakyou  é Shizuka. 
Ano-Novo - O Ano-Novo é um feriado muito importante para os japoneses. E eles comemoram esse feriado até o terceiro dia do ano. É um dos únicos feriados em que eles soltam seu jeito festeiro. 
Tadaima - Expressão usada quando se chega em casa. Equivalente a "Cheguei!".
Onee-sama - Pelo pé da letra... "Irmã".
-chan - Pronome de tratamento utilizado como sufixo. Demonstra informalidade e intimidade.
Kotatsu - Consiste em um tipo de mesa baixa (para que caibam as pernas das pessoas sentadas À volta) com um pequeno aquecedor embutido no centro, voltado para baixo, e um cobertor grosso "lacrando" a mesa pelos quatro lados para impedir que o ar quente escape.
-san - Pronome de tratamento utilizado como sufixo. Equivalente ao senhor/senhora/senhorita.
-sama - Uma foma muito educada de se referir a outras pessoas. Normalmente usado para referir-se a pessoas da realeza, imperadores.

Até o próximo post! (:

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O pequeno cogumelo.

Era uma vez um pequeno cogumelo. Como qualquer outro de sua espécie, ele vivia em lugares escuros, e sua morada em especial era em baixo de um tronco velho. Seus dias eram como o de qualquer cogumelo, possuía amigos como qualquer outro cogumelo, ou seja: ele não tinha nada de especial. Ele estava satisfeito com sua vidinha: uma vida comum.

Mas um belo dia, ele resolveu variar. Ao invés de dormir cedo como qualquer outro cogumelo, ele ficou acordado, apenas para olhar para a lua. Ele conseguiu, mas teve uma grande surpresa: a lua era mais bonita do que ele poderia sequer imaginar. Ficou simplesmente encantado, ainda mais quando viu que a lua olhava para ele. A lua sabia que ele existia!

Tomou coragem e resolveu conversar com ela. Conversaram bastante, riram bastante. Puxa, como a lua era legal!

Mas já estava quase amanhecendo, e a lua deveria ir. O cogumelo apenas sorriu e se despediu da lua. Durante todo o dia, o cogumelo só pensava em o que falar quando anoitecesse novamente, e sua amada lua aparecesse para ele e sorrisse.

Os dias se passaram, e o cogumelo e a lua se tornaram realmente bons amigos. Conversavam, riam, não percebiam o tempo passar, e logo logo a lua sumia novamente, abrindo espaço para o sol.

O cogumelo começou a ficar com medo: que dor era aquela no coração? Porque só a sentia quando não estava falando com a lua? Ele ficou com medo de que fosse amor. Como poderia um cogumelo se apaixonar pela lua?

Mas com o passar do tempo, ele percebeu que não deveria ter medo de seus sentimentos. Amor é algo tão maravilhoso!

Porque escondê-lo da sua amada lua? O corajoso cogumelo tomou coragem e se declarou para a lua.

Seu espanto foi tamanho quando descobriu que a lua se sentia da mesma forma por ele. Chorou de felicidade, e não conseguia parar de sorrir!

Os dias foram se passando, e o amor do cogumelo apenas aumentava. Só de ver a lua sorrir, o cogumelo já se sentia satisfeito.

Mas a lua não...

Com o passar do tempo, tanto a lua quanto o cogumelo começaram a sofrer. O pequeno cogumelo queria abraçar a lua, queria beijá-la, poder olhá-la nos olhos... mas não podia. Ele estava pregado naquele chão. Precisaria de muita coragem para se tornar uma estrela e ficar ao lado da lua o tempo todo, mas o cogumelo era medroso.

A lua, igualmente. Quem levaria a noite para o outro lado do mundo, se não ela? E para ela, seria impossível desistir de ser uma lua para ficar do lado do cogumelo.

Dias se passaram...

O cogumelo, por mais que amasse a lua, percebeu que os sentimentos da própria por ele estavam se enfraquecendo.

E ele compreendia. Compreendia muito bem. Ele não tinha medo que a lua dissesse que não o amava mais: ele tinha medo que a lua se apaixonasse pela grandeza do sol, ou pelo brilho das estrelas. Afinal, ele era só mais um cogumelo feio e normal. A lua estava rodeada de coisas grandiosas! O que ela iria querer com um pequeno pedaço de fungo?

Então, veio o dia no qual a lua confirmou as suspeitas do cogumelo: eles voltaram a ser somente amigos.

Mas o cogumelo sofria. Não conseguia ver a lua apenas como uma amiga! A lua era muito mais do que isso para ele...

Ele a amava mais do que qualquer outra coisa no mundo. Mas não adiantava... o pequeno cogumelo não sabia se expressar muito bem, se envergonhava com facilidade, e o mais importante: não poderia ficar do lado da lua todas as horas do dia.

Após dias e dias deprimidos, o pequeno cogumelo decidiu parar de falar com a lua, para tentar esquecê-la. Ele não conseguiria voltar a ser amigo dela... doía demais!

Mas ele simplesmente não conseguia. Acordava no meio da noite para dar uma espiada na lua, seus pensamentos sempre paravam nela, não importa a hora do dia... já chega. Ele decidiu que não deveria reprender seus sentimentos.

Um dia, ficou acordado novamente, e falou para a lua de seus sentimentos:

"Eu não desisti! Vou provar para você que eu mudei. Eu ainda a amo mais do que tudo, e não quero ter que fingir que não sinto isso por você. Irei fazer você se apaixonar por mim novamente. Sei que não tenho atrativos, sei que sou feio, que sou normal... mas irei tentar! Não vou desistir de ter você ao meu lado novamente!"

E até hoje, o pequeno cogumelo se esforça para recuperar o amor da lua. Apesar de ser extremamente atrapalhado, ele não perde as esperanças: poder amar a lua novamente é tudo que importa pra ele. Enquanto ele estiver lutando pela chegada do dia onde poderá amar a lua, ele pode fazer tudo. O pequeno cogumelo apenas espera que a lua lhe dê outra chance, assim ele irá se tornar uma estrela sem medo algum, e irá amar a lua com todas as suas forças.

Mas... E o que aconteceu depois?
O cogumelo continuava, determinado, lutando para conquistar sua amada lua. Era sem jeito, esquecido e muitas vezes não demonstrava o que realmente queria, mas algo inegável era seu esforço.

O tempo passou. E passou...

O cogumelo estava cansado. Amava a lua com todas as suas forças, estava sempre ali olhando por ela, qualquer favor que ela lhe pedir era uma ordem, se ela estava triste era o cogumelo que a consolava... mas se deu conta de que era realmente um bom amigo.

Foi como um tiro em seu peito, e o pobre cogumelo passou dias depimidos. Seus amigos o consolavam mas nada levantava seu ânimo. Foi então que ele parou e pensou "o único jeito é um dos lados abrir mão de sua situação atual. E eu acho que eu que terei que abrir mão da minha, terei que ser amigo da lua e fingir que não a amo, até me apaixonar por outra pessoa".

Mas não era tão fácil assim. Seu coração pertencia somente à lua. Amar outra pessoa para ele era impossível! Mas deveria tentar, pelo bem de sua amada...

O pequeno cogumelo, sem jeito, ficou acordado até tarde novamente, para falar com sua amada lua. Por coencidência, a lua queria falar com ele também. Por não ter coragem o suficiente para falar, o cogumelo permitiu que a lua falasse primeiro.

"Eu te amo".

"O que?" o cogumelo pensou. Ele pensou estar sonhando. Um sonho muito bom por sinal.

Mas não era sonho algum. A lua estava apaixonada novamente pelo pequeno pedaço de fungo, e o pediu em namoro.

Na verdade, há um bom tempo a lua andava confusa sobre seus sentimentos. Não sabia ao certo se não gostava do cogumelo, se gostava do sol... talvez as estrelas? Mas a imagem do pequeno fungo sempre lhe voltava a mente, e teve então certeza de seus sentimentos.

Este foi o dia mais feliz da vida do cogumelo. Sentiu sua energia voltar para seu corpo, seu sorriso se abrir e se fixar ali e a única vontade que sentia era de estar com a lua.

Hoje, não é mais possível encontrar o pequeno cogumelo em baixo do tronco. Seu amor fez com que ele criasse coragem.

Hoje, ele é uma pequena estrela. Há relatos de que esta estrela nunca se separa da lua, está sempre ali próxima à ela.

Dizem também que eles estão completamente apaixonados um pelo outro, e que vão continuar assim pela eternidade.
 
----------------------------------------------------------------------------------------------------
 
Conto por Ana Luiza (vulgo Anya, a alface). Adorei essa história e esse cogumelo me lembra alguém muito especial para mim.
 
Até o próximo post! (: